
Lá em cima, do alto da colina de nuvens, o céu cheira a lavanda. É uma calma dessas de tirar o pesado dos olhos. E daqui de onde estou posso fazer isso, vez em sempre. De tirar as vestimentas pesadas da percepção, lavar os borrões da alma. É de lá, das bandas mais altas do mundo, que recorto as mais bonitas palavras que o vento escreveu, as bem lindas. E a cada uma delas, juntadas com esmero nas páginas surradas do meu brochura, uma peça que faltava vai se completando dentro do coração. Poderes misteriosos fazem das lágrimas, doces pingos. Porque o sal só estanca o sangramento, é o doce que cura. Uma chuvarada de açucar por cima da cabeça. O sol secando a minha alma, enchendo ela de preguiçinha, dum sono reparador no meu travesseiro com recheio de nuvens. Um sonho que batizei de Esperanza. Porque a gente suspira mil vezes, enche o peito e se alarga. O resto é com o vento e o tempo. E com a força que o coração faz pra se desvirar. Porque o avesso da dor é alegria! E porque um dia eu disse a mim ainda meninota – Nunca mais te abandonarei!
Onde encontrei as chaves?
Em algum lugar na inocência. Afinal são os pequenos que soltam a linha desse balão vermelho já envelhecido de asas.
Tô variando não, quem sabe que não estamos aqui pra trilhar o caminho pra trás? Desentortando.
Foi uma muralha de mesmices que me deu a dica. Levantei os calcanhares, juntei as mãos em prece e deixei a pontinha das minhas asas roçarem a fé azul que pairava bem por cima da minha vida! Eu escolho o amor. Um sininho toca, parece que vou me curar… Dilim dilim dilim.
~…~
“Voa um par de andorinhas, fazendo verão.
E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas, velhas cartas recebidas.
Vontade de mudar de camisa, por fora e por dentro…
Vontade…
Para que esse pudor de certas palavras?
…vontade de amar, simplesmente.”
O menino Quintana.